Porque esse papo de que só é católico quem é praticante, francamente, é balela. Fui batizado ainda criança e só não fiz a primeira comunhão cedo porque mudei de colégio no meio da catequese e, nisso, acabei postergando por anos. Há quem queira igualar não freqüentar regularmente a missa à irreligião, mas são coisas bem diferentes. Eu fazia piamente o sinal-da-cruz quando passava por uma igreja e sempre evitei carne na Sexta-Feira Santa. Quando a coisa apertava, então, era batata, eu me pegava logo com a Virgem Maria. O conceito de não-praticante, por capenga que seja, consegue designar bem um certo estilo de vida.
Enfim, retomando o raciocínio... Minha conversão ao catolicismo mais estrito tem dado bons frutos, mas às vezes bem que eu gostaria de voltar ao laxismo da minha adolescência. Um caso comum é quando pego uma missa dominical de mais de uma hora. Beato eu definitivamente não sou. Pois é, mas o que pega mesmo é que eu gosto muito de mulher... Ai, ai. Chega o verão, e é sempre aquela coisa, cada beldade que passa me remete diretamente aos meus tempos de cafajeste. É tanta minissaia, tanto decote, tanto pega-rapaz por aí afora, que pelo amor de Deus! Não que eu esteja insinuando que quem não tem religião seja promíscuo ou algo do gênero, longe de mim. É que a minha motivação pessoal pro bom comportamento passou pela moral cristã. No fundo, o motivo pras duas coisas foi a namorada — católica. É por causa dela que, quando a libido insiste em pressionar meu livre-arbítrio, não posso me permitir muito mais do que umas viradas de pescoço. Bom, com a pequena do lado nem isso, mas aí já é o que eu chamo de instinto de auto-preservação.
O mais difícil, claro, é quando estou trocando carícias com a minha fofa. Nessas horas, confesso que sempre acho que não seria mau ir um pouco — só um pouco — além... Afinal, não seria senão assumir o risco de trocar o estado de graça por uma belíssima oportunidade de experimentar a divina misericórdia. Até que tem sua beleza, não tem? Colocando na ponta do lápis, boto fé que o risco-retorno compensaria. É um argumento... O certo é que, no final, ela dá conta de segurar a onda, e eu acabo sossegando o facho. Pois é, mas quem disse que a vida é fácil?! Essas renúncias até que têm sua graça... No futuro, terão valido a pena; enquanto isso, vou driblando como posso a falta que me fazem os meus dezesseis anos...
[ebook] SOPHIA – Dopo un anno
21 horas atrás


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2 Responses to “Reflexões plausíveis de um cristão relativista”
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Oi André!
11:10Gostei muito deste post! Achei muito transparente, sincero! Muito legal isso!
Fala, Felipe! Na verdade, as reflexões, embora abordem coisas que eu me questiono, são feitas por um personagem fictício, não por mim. Então não são tão transparentes assim... Abraço. Heheheh
14:13Postar um comentário