Transparência HackDay

7 de outubro de 2009

No último fim de semana, estive em São Paulo para o Transparência HackDay (#thackday no twitter), evento de dois dias organizado pelo pessoal da Casa de Cultura Digital (@markun e @danielabsilva) para promover projetos de tecnologia voltados para a transparência de dados públicos.

Um dos principais motivos para ir pra lá era bombar um pouco no ParlamentoAberto, um projeto que visa, resumindo bem, trazer o legislativo brasileiro para a Web 2.0 lançado recentemente pelo Helder (@obvio171), ao qual eu logo aderi. O saldo foi bem legal: fizemos pair-programming, conheci um pouco de Ruby on Rails e me familiarizei mais com os fontes do projeto (é software livre, pra quem se interessar). Já fiz meu fork no github e vou começar a codificar em breve. Concluímos o evento lançando a SuperAlphaRelease. A ideia era já ter algum código disponível em cima do qual desenvolvedores interessados possam colaborar, e conseguimos.

A outra motivação para a minha ida foi conhecer pessoas que atuam na área. Nesse ponto o THackDay também foi formidável. Tinha uma galerinha gente boa por lá, com a qual pude aprender bastante coisa, tanto de política quanto de tecnologia. Agora é manter contato com esse pessoal, aproveitar algumas horas vagas programando pelo bem da sociedade (hehe) e bola pra frente.

Valeu, galera. O primeiro Transparência HackDay foi um sucesso! ;c)

Que proselitismo que nada!

13 de agosto de 2009

Propaganda religiosa? Para dirigentes da FIFA, bem como para Juca Kfouri, Claudio Weber Abramo e Túlio Vianna, é basicamente esse o propósito da oração coletiva feita pela equipe do Brasil após a conquista da copa das confederações. Deprimente, não? :c(

Até certo ponto pode ser razoável a FIFA regular proselitismo religioso no futebol. O problema não está nisso, mas em entender que um grupo de pessoas rezando em público constitua algo do gênero. Longe disso. Os brasileiros tinham acabado de conquistar um título importante e estavam espontaneamente comemorando, extravasando sua emoção. Os três que eu citei acima, figuras que respeito, argumentaram que, se fosse mera religiosidade, o grupo deveria ter feito as preces no espaço privado. Menos, por favor. Menos. Nem tudo que se quer tornar público é merchandising. Uma coisa é mostrar ao mundo que se acredita em algo, outra é tentar angariar fiéis para a sua igreja.

Aliás, qual igreja? Será que todos ali pertencem à mesma? Eu apostaria que o que se tinha ali era uma mistura bastante sincrética de católico, evangélico, espírita, indeciso e por aí vai... Se houvesse algum apelo persuasivo na coisa, poderia ser um proselitismo místico, espiritual ou metafísico, mas não religioso.

Unindo interesses

28 de maio de 2009

Pensei num esquema bacana para, através de celulares, facilitar a comunicação entre pessoas que estejam no mesmo local. Não sei se já existe algo assim, mas minha ideia seria cada usuário poder publicar que está nos arredores e tem certos interesses ou propensões ("alguém aí quer tomar cerveja?", "vendo fusca 74", "onde tem agência dos correios aqui perto?", "qualquer coisa, eu falo alemão", "evitem a Rebouças!"). Qualquer um poderia buscar no seu telefone o que é que está rolando e, com sorte, encontrar uma boa oportunidade que, de outro modo, passaria despercebida.

Isso poderia ser implementado usando bluetooth ou GPS com plano de dados. Na segunda opção, quem disponibilizasse esse serviço conseguiria um valioso banco de dados com o histórico dos interesses por região e hora...

Arte de Amar: ver Jesus no outro

8 de maio de 2009

Peço aos leitores ateus/agnósticos que não ignorem o texto simplesmente pela referência a Jesus. Sei que o nome é repelente para irreligiosos, mas me dirijo também a eles. Espero que o conteúdo seja proveitoso para qualquer pessoa que queira se aprimorar no Amor com á maiúsculo.

Para começar, enfatizemos que, na perspectiva cristã, Jesus é um homem que encarna Deus-Amor e ama profundamente a humanidade, revelando assim a natureza íntima do Pai. Cristo é, assim, a pessoa que mais ama e, consequentemente, a mais digna de amor. Com efeito, tendo experimentado um tal amor, é natural que o cristão queira retribuí-lo. Porém, como concretizar esse ardor de reciprocidade?

É disso que trata este terceiro ponto da Arte de Amar, que aponta uma identificação entre Jesus e o próximo. O evangelho o indica claramente: "(...) sempre que o fizestes [o bem] a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" (Mt 25:40). Assumindo como seu aquilo que é feito aos outros, Cristo lhes empresta a própria dignidade.

"Aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê", encontramos também nas escrituras (1Jo 4:20). Essa não é uma mera frase de efeito, mas o cerne da questão. Como poderia o homem "ajudar" a diretamente a Deus, que não tem necessidades intrínsecas, que é autossuficiente? Sua "carência" — se me permitem — é voluntariamente emprestada da humanidade. Ele quer "precisar" de nós, de nossa felicidade; não como precisa da mãe o bebê, mas como esta precisa do filho. Eis uma troca simpática, então: Deus nos concede sua dignidade, e nós lhe oferecemos nossas necessidades.

Esta é a única forma de retribuir o amor dele recebido. É a chave de leitura da passagem completa da primeira citação (Mt 25:31-46), que fala do "tive fome, e me deste de comer; tive sede, e me deste de beber", e inspirou um belo conto do Tolstói. Alguém passa frio? É este o próximo a quem devemos amar. Há fome? Solidão? Doença? Desespero? Ajudemos quem sofre, e estaremos amando a Deus.

O importante, então, é tentar perceber a peculiar dignidade que tem cada próximo, pois somente em suas necessidades poderemos concretizar o Amor ao amor, que é o que há de mais nobre. Este amor que poderia ser simples devaneio, mas que é verdadeiro quando o realizamos amando as pessoas. Mãos à obra!

Arte de Amar: amar por primeiro

10 de março de 2009

Neste texto, não vou discorrer, como fiz no anterior, sobre algo intrínseco ao Amor com á maiúsculo. Em vez disso, vou falar da importância de tomar a iniciativa no exercício de se condicionar a amar cada vez mais.

Propor-se a amar por primeiro pode parecer consequência óbvia de amar o amor, mas cabem ressalvas. Seguindo a linha do último artigo — no qual eu defendia que o mais relevante não é a quem amamos (o objeto), mas que de fato amemos —, podemos entender também que não importa tanto quem ama (o sujeito), mas sim que o amor circule por aí. Isso sugere dar espaço para que os outros amem, afinal amar é uma experiência formidável, não? Acontece que deixar que outra pessoa ame não significa abrir mão de amar. Primeiro, porque se o outro quer fazer a mesma coisa que você — lavar os pratos, por exemplo —, pode ser amor ceder a vez. Além disso, mesmo que o outro não queira ou esteja hesitante, estimulá-lo a agir pode ser uma boa.

Bom, então por que se propor a "amar por primeiro" é tão importante?

Na minha experiência, o lema significa principalmente duas coisas: (i) não esperar ser amado por alguém antes de amá-lo, e (ii) não esperar que outros amem quando surge uma oportunidade.

i. Ora, se amo a todos, amo também quem não me ama. Eu ter sido amado não deveria alterar em nada o critério do amor, que é universal.

ii. Amando por primeiro, evita-se que o amor se perca quando ninguém se interessa em amar, e também quando os outros estão imaginando que alguém quer ou deve amar no lugar deles. Eventualmente pode surgir uma sadia competição de amor com outros que se propõem à mesma coisa. Nesse caso, retomando o parágrafo da ressalva, a solução não é deixar de amar, mas fazê-lo de outro modo. Um ama do modo original — lavando os pratos, por exemplo. O outro cede. Em termos de concretizar o Amor, é basicamente indiferente qual dos dois faz o quê...

Eis, então, a nova proposta. Procure tomar a iniciativa no que diz respeito a fazer o bem. Não espere pelos outros. Seja uma "locomotiva", seja "protagonista", usando as qualificações de Chiara para quem procura amar por primeiro. Ou, citando Gandhi, "seja a mudança que você quer ver no mundo".

Arte de Amar: amar a todos

24 de fevereiro de 2009

"Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos?" (Mateus 5:46)
A ideia que vou elaborar, para que não venha a soar arbitrária ou superficial, é a de que a universalidade é uma característica intrínseca do Amor — estou usando a inicial maiúscula para designar a expressão mais elevada da palavra, aquela a que me referi no texto anterior.

É concebível amar parcialmente? Seria amor à pátria defender apenas a própria cidade? Ou à esposa procurá-la somente buscando prazer? Ou ao futebol interessar-se exclusivamente pelas partidas de um determinado time? Não, porque o amor, em suas diversas acepções, traz consigo a noção de totalidade. O objeto que se ama pode até ser bem específico, mas é amado por completo, quase transbordando. O amor com á minúsculo pode até não ser universal, mas é sempre total.

Pois bem, sendo o amor o valor nobre que é, ele atinge seu ápice no amor ao amor. Radicalizar no amor é isso. Essa é uma boa aproximação da própria definição de Amor, aqui com com inicial maiúscula. Eis então a universalidade, onde eu queria chegar: quando o amor é colocado no topo da escala, não é tanto a quem ele se dirige que interessa, o importante é efetivamente realizá-lo de algum modo, não desperdiçar oportunidades. Um cristão que ama a Deus-Amor não pode fazê-lo apenas em devaneios, mas concretiza isso no amor ao próximo.

Obviamente não é fácil amar a todos de modo concreto. Chiara usa uma expressão interessante a esse respeito: "é preciso dilatar o coração". Pode-se, assim, fazer um esforço contínuo de purificar o amor. Hoje o colega chato, amanhã o vizinho inconveniente e por aí vai. A meta é não excluir ninguém. Talvez pareça um pouco artificial para quem está acostumado à ideia de amor como sentimento, mas não é disso que se trata. É bom lembrar que estou falando de "amar com os músculos", citando novamente nossa amiga italiana.

Então fica aí a sugestão: procure amar a todos. :c) Quando se deparar com alguém particularmente difícil, aproveite a oportunidade e redobre os esforços. Lembre-se de que o amor é tão mais puro quanto mais universal.

A arte de amar

31 de janeiro de 2009

Há uma temática que já faz algum tempo eu quero abordar aqui, então vou aproveitar a deixa de um recente texto do Hanson, no qual ele fala que amar exige treino e não é sentimento. Não pretendo contestar acepções reconhecidas pelos melhores dicionários e amplamente utilizadas. Sim, o termo "amar" pode significar muitas coisas... No entanto, em sua acepção mais nobre, a palavra decididamente não comporta como objetos diretos um sorvete ou o ato de esquiar. Amar não é apenas um sentimento, é também uma atitude, uma decisão que se concretiza em atos.

A ideia é apresentar aqui a Arte de Amar, de Chiara Lubich — não confundir com a de Ovídio! Trata-se de alguns preceitos bastante pedagógicos que podem guiar quem se propõe a amar à moda do cristianismo. São eles, se não me falha a memória: amar a todos, amar por primeiro, ver Jesus no outro e fazer-se um. É algo simples e efetivo, que serve às mais variadas pessoas, inclusive a não-cristãos...

Para treinar o amor concreto, uma sugestão é se dedicar a aprimorar um desses tópicos de cada vez. Um recurso que surgiu para esse propósito é o dado do amor, que completa seis frases com "amar o inimigo" e "amar-se reciprocamente". A pessoa sorteia uma das propostas no início do dia, e tenta viver de acordo com ela no período. Depois, pode trocar experiência com outros. É formidável para crianças, mas funciona também com adultos.

Fica aqui meu compromisso de escrever sobre cada um dos quatro pontos da Arte de Amar.